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O Grito da Cadeia Lactéa


Entrevista: Cícero Hegg

 

Desde 2023, o setor lácteo brasileiro vem enfrentando forte concorrência com o crescimento dos volumes das importações de leite em pó, soro em pó e mussarela, o que vem impactando de forma predatória a cadeia produtiva de leite brasileira. Diante deste cenário, no dia 5 de junho, foi realizado na Câmara dos Deputados em Brasília, o evento “O Grito da Cadeia Láctea”, com o objetivo de analisar o atual momento do mercado leiteiro no Brasil, e propor ações em defesa dos interesses econômicos e sociais do país.

 

Guilherme Abrantes, presidente do Silemg representou o Sindicato e seus associados durante o encontro promovido pela Associação Brasileira de Pequenas e Médias Cooperativas e Empresas de Laticínios (G100). A mesa de debates contou com o deputado federal, Reginaldo Lopes (PT/MG), o presidente do G100, Pedro Augusto, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Queijo (ABIQ), Fábio Scarccelli, o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Lácteos Longa Vida (ABLV), Nilson Muniz, e o diretor-executivo da Viva Lácteos, Gustavo Beduschi.

 

O deputado federal Reginaldo Lopes ouviu relatos sobre o atual cenário da cadeia produtiva e recebeu uma pauta de reivindicações visando a estabilização do setor. Em seguida, Pedro Augusto detalhou os objetivos das entidades representativas das indústrias e cooperativas de leite: inclusão dos produtos lácteos na cesta básica; garantia de crédito presumido de 100% para produtores de leite não contribuintes; eliminação de imposto seletivo sobre derivados do leite. O presidente do G100 ainda destacou que os produtos lácteos devem ser acessíveis à toda população, e que deve ser mantida a competitividade do setor perante as importações de leite de países como Argentina e Uruguai.

 

Para enriquecer o tema, conversamos com o vice-presidente do Silemg, Cícero de Alencar Hegg. Sócio do Laticínios Tirolez Cícero, também exerce as funções de integrante do Conselho do G100, do Conselho da Viva Lácteos, é vice-presidente do Sindleite de São Paulo e atua como laticinista fabricante de queijo, há 44 anos. Confira o depoimento sobre o evento e os impactos do movimento no setor:

 

Este evento no Congresso é parte de um movimento do setor lácteo que já dura décadas. Durante os dois dias de encontro, fomos prestigiados por um número expressivo de parlamentares, o que foi uma ação importante. O objetivo principal foi sensibilizar os representantes da população, da indústria e dos estados sobre a situação do setor lácteo no Brasil.

 

O movimento busca a manutenção do status quo atual, aproveitando as conquistas alcançadas ao longo do tempo. A atividade política e institucional do G100 e do Silemg, como de quase todos os sindicatos no Brasil, é um trabalho permanente. É crucial manter uma interlocução constante entre as instituições representativas da indústria e os parlamentares.

 

Além disso, o movimento também se dedica a trazer e manter temas relevantes, como a situação tributária e condições melhores para que o setor lácteo continue crescendo.

 

Conseguimos, no passado, equilibrar a carga tributária e reduzir a evasão fiscal, praticamente zerando a informalidade. Isso não apenas aumenta a arrecadação do Estado, mas também melhora a saúde pública, pois as empresas formalizadas atuam de forma mais profissional e alinhada com a legislação sanitária.

 

Na minha visão, o setor lácteo conseguiu se posicionar de maneira sustentável na questão tributária, atualmente, com carga compatível com a sua capacidade de contribuição, interagindo com diversos elos da cadeia de consumo. A produção de leite faz a conexão entre produtor e indústria, que transforma o leite em derivados, como o queijo, que chega ao consumidor final.

 

Estamos focados na reforma tributária, manutenção de nossa situação tributária atual, e na atuação a nível estadual, mantendo contato constante com os poderes Executivo e Legislativo, tanto em Minas Gerais quanto em São Paulo e outros estados. O setor envolve mais de um milhão de pessoas diretamente, que fazem parte da produção de leite, industrialização e distribuição dos mesmos. Sem contar o milhões de consumidores. Nosso objetivo é garantir a acessibilidade dos produtos lácteos.

 

Implementamos programas como o Ticket Leite (Vale Leite), no estado de São Paulo. Meu sonho é que a população brasileira tenha renda suficiente para adquirir derivados do leite, pois sabemos da importância desse alimento. Uma baixa tributação permite que mais pessoas consumam esses produtos.

 

Defendo o emprego e a renda. Um crescimento na economia gera mais emprego e renda, permitindo que o consumidor tenha acesso a produtos lácteos. Conclamo os dirigentes de empresas do setor lácteo a participarem, junto com seus deputados e senadores, na sensibilização sobre a importância do setor. Também incentivo a busca por produtos de qualidade cada vez melhor e defendo os interesses da indústria, enfatizando a importância das proteínas e gorduras do leite para a saúde.

 

Desejo que possamos, no futuro, nos tornar exportadores de produtos derivados do leite de alta qualidade.

 

Fonte: Cooperativa Agropecuária Vale do Rio Doce

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