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Tendências do Setor Lácteo 2026

  • silemg6
  • há 6 minutos
  • 3 min de leitura

*Por Ana Paula Forti, Diretora da área de Processamento da Tetra Pak Brasil


Praticidade e saúde: duas características que nós, como consumidores, buscamos no

nosso dia a dia. Após um período marcado pela percepção de que eram “vilões” – fruto

de fake news que os chamavam de inflamatórios – os laticínios voltaram aos holofotes

justamente por serem grandes aliados cotidianos para nutrição e praticidade. Esse

cenário, visto este ano, já vinha se desenhando há algum tempo: segundo o Relatório

Anual da Associação Brasileira da Indústria de Lácteos Longa Vida (ABLV), em 2024, o

segmento de leite UHT cresceu 3,9% em relação ao ano anterior.  


Segundo o Top Global Consumer Trends 2025, da  Euromonitor, 52% das pessoas

acreditam que estarão mais saudáveis nos próximos cinco anos do que estão hoje. Esse

planejamento – ou desejo – a longo prazo, reforça a ideia de que, em suas refeições, os

consumidores buscarão opções mais funcionais, que auxiliam nessa estratégia de

saudabilidade. Além de saboroso e versátil, o leite também possui alto valor nutricional,

com proteínas, cálcio e vitaminas.  


A indústria, que sempre precisa estar atenta às mudanças de comportamento para

responder de maneira rápida, já deu uma resposta a essa nova maneira de consumir.

Segundo os dados do Anuário Leite 2025, da Embrapa Gado de Leite, o Brasil produziu,

em 2024, 25.375 bilhões de litros, o que equivale a +2,38% em relação ao ano anterior.

Esse aumento mostra uma cadeia que está se organizando para aumentar volumes e

atender às demandas internas. Apesar de positivo, o cenário previsto para 2026 também

traz alguns desafios a serem superados.  


Um deles, talvez o mais difícil de lidar, é a concorrência externa. Nos últimos anos, o

crescimento das importações tem aumentado de maneira expressiva e com preços

bastante competitivos – sobretudo em 2024, quando o volume importado atingiu o seu

recorde. Essa pressão pode afetar a rentabilidade dos produtores nacionais, o que, por

sua vez, também influencia as decisões e investimentos dentro da cadeia.  


O tema exige atenção, já que o preço não é o único fator a interferir na competitividade: a

eficiência produtiva, a qualidade dos produtos e a capacidade de inovar para novas

oportunidades de consumo também fazem parte das regras do jogo. Ou seja, sozinho,

apenas crescimento industrial não é o suficiente.  


Hoje, a sustentabilidade é um imperativo: é preciso produzir com responsabilidade, com

uso mais eficiente de recursos e reduzindo ao máximo as perdas durante os processos. A

atualização da planta industrial – que pode ser feita por meio de iniciativas como automatização, digitalização e otimização energética – surge como um potencial fator

competitivo. 


É por isso que a inovação não pode ser um privilégio. Ela precisa ser acessível e

adaptável a diferentes realidades, desde os menores produtores até os maiores.

Felizmente, a tecnologia atual permitiu a criação de soluções eficientes e sustentáveis

para empresas de diferentes portes, permitindo melhora de produtividade, ampliação de

qualidade e também redução de impacto ambiental. 


Entramos em 2026 com uma promessa: o aumento da demanda que responde aos

desejos de saúde e bem-estar. Mas esse futuro promissor não cairá do céu: ele depende

de inovação contínua, da modernização das plantas industriais, de estratégias de

sustentabilidade e de leitura atenta do mercado consumidor para antecipar as tendências e transformar desafios em oportunidades.  


*Ana Paula Forti iniciou sua jornada na Tetra Pak em fevereiro de 2010, em Monte Mor

(SP), como Gerente de Projetos. Após 12 anos a executiva assumiu o cargo de Diretora de

Processamento na Tetra Pak Brasil, que ocupa até hoje. Ana é formada em Engenharia

Química pela Escola de Engenharia Mauá e possui pós-graduação em Administração de

Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

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