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Dia Mundial do Leite - Minas Gerais detém liderança na produção de leite

A produção do leite tem grande capilaridade no Estado, presente em todas as regiões e contribuindo para a permanência dos produtores no campo, gerando renda e riquezas.


Minas Gerais é o maior produtor de leite e é responsável por 24,5%

do volume brasileiro | Crédito: Oulailux / stock.adobe.com



01/06/2023 - Hoje, 1º de junho, é comemorado o Dia Mundial do Leite e Minas Gerais se destaca no País como a principal bacia leiteira. O Estado é o maior produtor de leite e responsável por 24,5% do volume brasileiro. Em 2021, a produção mineira total de leite, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), chegou a 9,6 bilhões de litros, volume produzido em 216 mil propriedades e que movimenta uma cadeia responsável por cerca de 1 milhão de empregos diretos.


Apesar da robustez, o setor enfrenta desafios como a queda de consumo e custos ainda elevados. Além disso, o aumento da importação tem comprometido a competitividade das indústrias e reduzido os preços pagos aos produtores.


No Dia Mundial do Leite – data que foi criada em 2001, pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), com o objetivo de incentivar o consumo de lácteos -, o presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados no Estado de Minas Gerais (Silemg), Guilherme Abrantes, ressalta a importância da produção para o Estado.


“Minas Gerais é o primeiro estado em produção de leite. O Estado já produz mais de 9,4 bilhões de litros ao ano. Se Minas fosse um país, seria o 16º no ranking mundial da produção leiteira. De todo o leite produzido em Minas, 50% são destinados aos demais estados. `Podemos dizer que Minas abastece o Brasil com leite”.


Ainda segundo Abrantes, o setor no Estado conta com mais de mil indústrias certificadas por órgãos federal, estadual e municipal. A cadeia gera cerca de 1 milhão empregos diretos.


“A cadeia é muito importante. No Brasil, são 4 milhões de empregos diretos. O setor emprega mais que construção civil, que a indústria automotiva e têxtil. Em Minas, o setor é o único que tem produção em todos os municípios e também o único que tem, ao menos, uma pequena indústria em todas as cidades”.


Silemg vai promover várias ações no Estado, dentre elas um concurso de redação nas escolas, para incentivar o consumo | Crédito: tisomboon / stock.adobe.com


A produção do leite tem grande capilaridade no Estado, estando presente em todas as regiões e contribuindo para a permanência dos produtores no campo, gerando renda e riquezas.


“Hoje, o leite está presente em 100% dos municípios de Minas. São cerca de 216 mil fazendas produtoras no Estado. Por isso, o setor tem uma importância social muito grande em Minas e no Brasil”, explicou a analista de agronegócios do Sistema Faemg/Senar, Mariana Simões.


Para divulgar a importância do leite e incentivar o consumo, o que faz bem para a saúde, o Silemg promove diversas ações no Estado.


“Buscamos sempre mostrar a importância e os benefícios do consumo do leite e dos derivados para a saúde. O leite é fonte de proteína e cálcio e o Silemg faz eventos para mostrar a importância do leite na alimentação diária das famílias”, explicou Abrantes.


Entre as ações, o Silemg promove um concurso de redações nas escolas. O objetivo, segundo Abrantes, é levar o conhecimento além das crianças que produzem redação. É também envolver a família e mostrar a importância do consumo de lácteos.


“Este ano, o Silemg deve promover a maratona Beba Mais Leite, que tem o objetivo de mostrar ao consumidor a importância do produto”, adianta.


Menor renda do brasileiro impacta setor

Mesmo com grande relevância econômica, social e na saúde, a produção de leite enfrenta desafios que têm desestimulado a produção. Em 2022, segundo dados do IBGE, o volume de leite processado pelas indústrias de Minas Gerais foi de 5,84 bilhões de litros, ou seja, retração de 5,7% frente a 2021.


“A produção de leite em Minas está em queda. Isso vem ocorrendo porque a renda média do consumidor tem diminuído, o que impacta diretamente o consumo, já que o leite é um dos principais produtos na mesa. A indústria mineira está sentindo muito essa queda de consumo, que é bem expressiva”, explicou o presidente do Silemg, Guilherme Abrantes.


Frente a um mercado retraído, o setor ainda é impactado pelo aumento das importações de leite.


“Um dos problemas mais sérios é a importação, que está batendo recordes. Este ano, a média diária está em 7,4 milhões de litros. Isso afeta diretamente a venda dos produtos industrializados e, consequentemente, o preço a ser pago ao produtor no campo”.

Ainda segundo Abrantes, o leite que chega ao Brasil é proveniente, principalmente, da Argentina e Uruguai, países que têm baixo custo de produção.


Entre os impactos da queda de consumo e aumento da oferta de leite em pó importado, está a queda de preços tanto entre as indústrias como para o produtor.


“Apesar de nos últimos meses os preços pagos aos produtores terem subido, para junho, referente à entrega de maio, a tendência é de queda. No mercado spot – negociação do leite entre as empresas – a queda no preço já superou R$ 1 por litro, nos dois últimos meses (abril e maio)”, disse Abrantes.


A analista de agronegócios do Sistema Faemg/Senar, Mariana Simões, reitera que as importações recordes de leite – cerca de 640 milhões de litros entre janeiro e abril – impactam a formação de preços aos produtores.


“O produtor de leite enfrenta o desafio das importações, que estão em volumes recordes e impactando na disponibilidade de matéria prima no mercado interno. Esse aumento provoca queda dos preços no mercado, na indústria e no produtor rural”.


Ainda segundo ela, a previsão para o pagamento ao produtor rural é de retração, segundo o Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado de Minas Gerais (Conseleite Minas).


“Na última reunião do Conseleite, foi apontada a tendência de retração de 2,2% nos preços do leite entregue em maio e que será pago em junho. Isso é reflexo do consumo enfraquecido e do aumento das importações de leite”.


Girolando é a melhor e maior raça leiteira; em 2021, produção leiteira em MG foi de 9,6 bilhões/l | Crédito: Jadir Bison


As oscilações de preços e os custos altos registrados nos últimos anos, continuam impactando o volume produzido. Segundo Mariana, após a retração em 2022, os primeiros meses de 2023 foram marcados por uma nova queda produtiva.


“Os dados preliminares do IBGE mostraram que, no primeiro trimestre de 2023, a captação no Brasil caiu 1,4%. O cenário de queda visto no ano passado se mantém. Apesar de os dados de Minas ainda não terem sido divulgados, a estimativa é de menor produção aqui também”, explicou.


Até o final do ano, dependendo das condições de mercado, pode haver uma reversão do resultado. Isso, devido a queda dos preços do milho e da soja, principais componentes da ração animal.


“Com a ração mais barata, pode haver um incentivo para que o produtor oferte mais alimento para o rebanho, o que pode ampliar a produtividade”.


Outra preocupação da indústria de lácteos é a proposta de reforma tributária. Isso porque alimentos considerados essenciais – que compõem a cesta básica – hoje pagam menos impostos e, caso o texto seja aprovado, ficarão mais caros devido ao aumento do imposto.

“A indústria de laticínios vê com muita preocupação a reforma tributária, que pode impactar fortemente na cadeia do leite. Hoje, o produto tem uma carga tributária baixa e a preocupação é que a mudança da tributação onere os produtos, o que pode impactar diretamente no consumo”, explicou.


CCPR capta média diária de 2,5 milhões de litros de leite

Com uma captação diária média de 2,5 milhões de litros de leite, volume que pode chegar a 3 milhões na época de safra, vinda diretamente dos 4 mil cooperados a Cooperativa Central de Produtores Rurais (CCPR) tem grande capilaridade em Minas Gerais e trabalha buscando os melhores resultados para os produtores.


De acordo com o gerente-geral de suprimento de Leite da CCPR, Leandro Cardoso Sampaio, a entidade está entre as maiores empresas captadoras de leite do Brasil e engloba 31 cooperativas associadas e mais quatro parceiras. Dentro do sistema são 25 mil produtores cooperados.


“O trabalho desenvolvido pela CCPR é de extrema importância para o fortalecimento do produtor rural. Nos dois últimos anos, temos trabalhado o pensamento sistêmico, pensando no desenvolvimento conjunto de todos os cooperados. O desenvolvimento em grupo é essencial, principalmente, dentro do setor de lácteos. Nosso objetivo é desenvolver as cooperativas para levar desenvolvimento ao cooperado”.


Para estimular os resultados do pecuarista de leite, a CCPR trabalha levando inovação, capacitação e assistência ao produtor rural, ferramentas que são consideradas essenciais para que ele tenha uma boa performance nas unidades, tendo uma gestão eficiente, ampliando a produtividade, reduzindo custos e tornando a produção de leite mais rentável.

Hoje, a CCPR conta com um corpo técnico de mais de 100 profissionais atuando no campo, junto às cooperativas e cooperados levando tecnologias de produção, de qualidade do leite e melhoramento genético.


“A gente tem trabalho para promover o desenvolvimento dos produtos. Estamos sempre em busca de inovação, de resultados de pesquisas para levar melhores recursos e rentabilidade. No leite, a rentabilidade é um desafio, a margem de lucro do produtor é em centavos. Então, quanto mais ganho em escala, maior será o resultado”, explicou Sampaio.


Fonte: jornal Diário do Comércio



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